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sábado, 28 de maio de 2011

Pense o que quiser. Mas pense!



http://3.bp.blogspot.com/_q17KXeXC0_w/S75drhmYHGI/AAAAAAAAACo/IPxRz0W8Tkc/s1600/244494601-viva-a-vida.jpg 
Há vestígios e conversas, mas poucas provas por aí do que existe dentro de mim.
Não me dôo pela metade... Não sou teu meio amigo nem seu quase amor.
Quando me entrego, eu me atiro e quando recuo não volto mais.
Não tenho pressa, às vezes ficar sozinho me faz um bem danado, às vezes quero multidão.
Nunca tive vocação pra agradar quem não me agrada. São poucas as pessoas pra quem eu me explico.
Se alguém gostar de mim; vai gostar pelo meu jeito esquecido de lembrar das coisas. Meu jeito desorganizado de arrumar. Meu jeito desligado de dar atenção. Meu jeito complexo de ser simples. Meu jeito nem aí de ser sagaz. Meu jeito às vezes impaciente de ser paciente. Meu jeito falante de ficar em silêncio,quando espera-se que eu fale. Meu jeito de olhar sem querer dizer nada e dizer tudo. Meu jeito inconformado de não aceitar qualquer coisa.
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Tenho uma música para cada ocasião da minha vida.
Rezo, oro, entôo mantras, agradeço e sou feliz por ser a pessoa que sou. Deus me acompanha. Um Deus tranquilo...que não é difícil e distante...Meu Deus é discreto e otimista.
Vou observando os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.
Sou bem mais feliz que triste, mas às vezes fico distante… e me perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar explicação pra vida.
Nessas horas penso nos amigos, família, o que eu tenho, o que eu já fiz e que ainda vou fazer.
Aí não tenho mais nenhuma dúvida... coloco um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e fica tudo bem!

Eu faço a minha sorte.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Crônica da Loucura

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses.
Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo.E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos: (1)eu, (2)um crioulinho muito bem vestido, (3) um senhor de uns cinqüenta anos e (4)uma velha gorda.Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. (2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para leva-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam ou conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
(3 )E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno mansosempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas.Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual?Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ri muito, o meu psicanalista e diz: "(2) O Ditinho é o nosso office-boy. (3) O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades. (4) E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe. E (1) você, não vai ter alta tão cedo..."

Luis Fernando Verrissimo

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Feridas Abertas

Prepare-se!
Cada dia é em si mesmo um chamado para novas batalhas e os vencedores
serão aqueles que estiverem mais bem preparados, afinal de contas, a vida não aceita desculpas como o famoso: "ninguém me avisou...".
Será que é preciso avisar mais alguém que sem estudar não se chega a lugar nenhum?
Será que é preciso avisar que estamos na era digital e que o computador substituiu a máquina de escrever?
Fala sério!
É preciso avisar que o cigarro mata?
Que a bebida alcoólica causa dependência,
que a cocaína vicia e corrói o cérebro pelas beiradas e transtorna muitos lares,
que o orgulho mata, fere, machuca e cobra um alto preço da nossa felicidade?
Será que tem gente que ainda não sabe o valor do respeito?
Será que fazem mal aos outros por ignorância das Leis Divinas?
Será que seqüestram pessoas sem saber da Lei dos homens?
Por quê alegamos ignorância quando a dor nos visita
ou a própria vida vem cobrar os nossos erros,
seja através de doenças, da dor ou sofrimento?
Hoje você tem diante de si uma porta chamada " futuro"
e que não é preciso bater para se entrar, nem precisa de apresentação,
nem carteirinha, nem padrinho nem "quem indicou",
precisa sim, ter coragem de abandonar aquilo que sabemos ser prejudicial a nós mesmos,
ao próximo (e até ao distante), e assumir uma postura bem simples diante da vida:
"eu me amo, me aceito e luto para que cada dia seja o meu melhor dia".
Bem vindo ao futuro, hoje!.

terça-feira, 10 de maio de 2011

o Quente Pode Ser Frio

 



As coisas têm muitos jeitos de ser,
depende do jeito que a gente vê.
O comprido pode ser curto e o pouco pode ser muito.
O manso pode ser bravo e o escuro pode ser claro.
O fino pode ser redondo e o doce pode ser amargo.
O quente pode ser frio e o que parece um mar também pode ser um rio.
(...)
Quem já se queimou num pedaço de gelo e sentiu muito frio depois de um banho quente não pode se espantar do frio poder queimar e o quente também esfriar.
Uma árvore é tão grande se a gente olha lá para cima mas do alto de uma montanha ela parece tão pequenina.
Grande ou pequena depende do quê?
Depende de onde a gente vê.
O domingo é tão curto os outros dias duram tanto,
nas horas eles são iguais
a diferença deve estar naquilo que a gente faz.
O amanhã de ontem é hoje, o hoje é o ontem de amanhã;
dentro dessa complicação quem tem uma explicação?
Dá até para perguntar se o amanhã nunca chega,
e também para pensar hoje, ontem, amanhã depende do quê,
depende do jeito que você vê.
(...)
O pouco pode ser muito, o quente pode ser frio,
será que tudo está no meio e não existe só o bonito ou só o feio?
O comprido pode ser curto, o fino pode ser redondo,
parece mesmo que no fim o bom pode ser ruim,
e neste caso por que não o ruim pode ser bom?
Curto e comprido, bom e ruim, vazio e cheio, bonito e feio
- são jeitos das coisas ser, depende do jeito da gente ver.
Ver de um jeito agora e de outro jeito depois, ou melhor ainda,
ver na mesma hora os dois.

domingo, 8 de maio de 2011

Não esquecer nada: nem a torneira pingando

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar,

cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo

não era o prêmio merecido de uma mente em ordem,

mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim

para ocultar a desordem da minha natureza.